
Antes dos registros, duas informacoes: (1) estou digitando no word uruguayo, que faz correcoes de minhas palabras, de modo que algumas estarao em español; (2) o teclado nao admite certas acentuacoes, e nao tem cedilha, o que fara com que algumas palabras fiquem meio extrañas…
Licao do dia: “Nem sempre as predicoes se confirmam”
Frase do dia: “É isso aì! Vamos comendo os quilometros um a um…” (S)
A previsao para o dia da viagem entre Colonia Del Sacramento e Montevideo nao era la muito boa. A temperatura, sim, entre 10 e 20 graus, mas havia registro de vento com certa forca (24, 25 km/h) e de chuva, mais para o lado da capital.
Com essas informacoes, fomos dormir, esperando mais um dia difícil…
Mas nao foi bem assim. Estava, sim, bem friozinho quando acordamos e partimos, mas havia ate um solzinho insistindo em aparecer. O vento estava por la, mas (olha so minha sensibilidade) era sudoeste, e, como estavamos indo para leste, ele ficava lateral, e ate ajudava um pouco. Nao estava uma beleza, como vento a favor, nem quando nao ha vento, mas muuuito melhor que nos dois outros dias.
A estrada, Ruta 01, uma das principais do Uruguay, ate que era bem razoavel. Pela primeira vez tinhamos acostamento, e por um bom trecho no mesmo padrao da estrada, sem desnivel (como a estrada do mar). A partir do km 30, a estrada esta duplicada, exceto num pequeño trecho de cerca de 5 km, entre os km 55 e 60, aproximadamente, quando ela passa pelo povoado chamado Colonia Valdense.
Por ali, paramos um pouco num posto Petrobràs (que, alias, tomou conta do Uruguay), e foi onde conhecemos o Sr. Josèlio (se entendi bem seu nome…), um frentista super simpatico que ficou batendo papo sobre a viagem e nos contando de seus conhecidos no Chuy. As pessoas sao muito simpaticas, disponiveis e atenciosas, geralmente, por aquí. Vinte minutos de parada, algumas castañas e passas, e seguimos adiante.
Fomos assim, muito tranquilos, com boa temperatura e sem grandes obstáculos, ate o km 77, exatamente quando uma placa registrava 103 km faltantes para Montevideo. Ai, o vento deixou de ser lateral, e ficou frontalmente contra… E essa e a pequena parte do dia que nao o permitiu ser perfecto para pedalar! Rsrs
Fomos de novo, tipo lesmas do asfalto, em um pedal bem causativo. Sorte que o vento nao parecia, mesmo, tao forte como nos tres ultimos dias. Alias, o dia de parada em Colonia foi providencial, pois foi o de vento mais forte, acho que seria imposible seguir com aquelas condicoes.
Ah, a estrada tem uma particularidade… ela vai marcando, quilometro a quilometro, a distancia faltante para Montevideo. E isso pode ser, as vezes, angustiante. Acho que cada um tem uma maneira de lidar com as longas distancias, no pedal. O Alex nao gosta de olhar o odometro. Ja eu, de tempos em tempos, vou olhando, gosto de saber a velocidade, a distancia faltante, etc. Assim, costumo dividir a distancia em trechos de 10 km. Quando chego, por ex., no 10, penso: ja estamos praticamente no 20! E assim vou. Mas ali, ficava imposible nao olhar para as placas! Entao, so vinha uma ideia na minha cabeza: “vamos comendo os quilometros um a um!” E e isso! Com paciencia, em algum momento atingimos o objetivo! rsrsr
Uma paradinha no km 98, onde “almocamos” um sanduiche de medialuna com suco de naranja. E mais vento contra, ate por volta do km 130, mais ou menos.
A partir dai, o vento continuou contra, mas diminuiu de intensidade. E a paisagem urbana comecou a surgir, mais carros, mais casas, enfim, mais distracao. Paramos um pouquinho justamente nesse ponto, em uma parada de onibus, ficamos alguns minutos, comemos chocolates com gatorade (ECA !!!) e seguimos adiante.
La pelas tantas, passamos por um caminhao vendendo sacos de batatas (5 kg, acho). Disse o Alex: “Vamos comprar batatas! Precisamos de carboidrato! Kkkk… Se bem que a gente combinou nao comer carboidrato hoje…”. Eu respondi: “É… É somente isso que nos impede de comprar dois sacos! Rsrsrsrs ». Imaginem a cena : cada um com um saco de batatas sobre as mochilas…
O fato è que NAO AGUENTAMOS MAIS COMER CARBOIDRATOS! Nem Gatorade! Abaixo as massas e paes! Rsrsrs…
Mas deixa eu contar o final do trajeto.
Ate o km 130, a estrada estava bem calma. No trecho duplicado, o acostamento nao era tao bom quanto antes, mas dava tranquilamente para pedalar sobre a pista, quase nao passavam automoveis, e todos eles (com excecao de um caminhao) abriam para a outra pista, ao nos ultrapassar.
A geografia, desde a saida ate o km 140 è de coxilhas, subidas e descidas interminaveis, mas um pouco mais leves que as do trecho anterior. A partir dai, tudo muuuito plano!
Entao, o pedal voltou a ficar mais facil: vento mais fraco e tudo plano. Mas o movimento comecou a aumentar.
Passamos por algumas localidades do entorno de Montevideo e por um pedagio, apos o qual havia uma ponte. Seguimos por ela ( e nao vimos outra alternativa) ate surgir uma placa que proibia transito de pedestres e de bikes. Nao dava nem para dizer que nao haviamos entendido, pois nao era escrita, mas com imagen (aquela velha, a bicicleta e uma faixa sobre ela…). Mesmo assim, seguimos… Uma pequena infracao. Mas dava tranquilamente para passar, tinha acostamento bom.
Rumo a Montevideo, entao. Faltando uns 10 km, visualisamos pela primeira vez a cidade!! Fiquei, mesmo, muito feliz! Os trechos mais dificeis estavam completados!
Aumentamos a velocidade e chegamos à entrada da cidade, exatamente no km 180, com 8h35min pedalando (sem contar as paradas).
Optamos por circundar a orla, para chegar ao Hotel, o que importava em alguns quilometros a mais, para fazer turismo. A vista estava realmente lindíssima, valeu a pena o acréscimo! Pegamos um entardecer fantástico a beira dagua!
A cegada ao hotel foi super tranquila. Eu diria que este foi o dia menos desgastante para os dois, a pesar de ter sido a mayor quilometragem. Isso em funcao do clima, que ajudou muito.
Hoje, faz frio em Montevideo, e vamos passear (caminando, por obvio, porque o nosso turismo esta sendo feito, ao menos por aquí, sem combustible fóssil! Rs).
Ao passeio!